expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Filme do Dia - "O Cavaleiro das Trevas Ressurge"

Pesado, angustiante e soturno  "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" é construído mais como um drama sobre uma pessoa destruída física e mentalmente do que uma tradicional aventura sobre heroísmo
Algumas escolhas na história são problemáticas, requisitando concessões lógicas e emocionais do espectador. O espaço de oito anos entre o filme anterior e a aposentadoria de Bruce Wayne como defensor de Gotham nesse período são elementos da trama dispensáveis sacrificando a força do personagem estabelecido antes.
Pegando emprestado uma idéia  da graphic novel "O Retorno do Cavaleiro das Trevas" de Frank Miller, rencontramos o Batman como uma sombra amargurada e reclusa. Partindo desse ponto o roteiro de Christopher Nolan e David Goyer se apoia no tema da perda da esperança para encerrar a jornada cinematográfica do Cavaleiro das Trevas com pompa e circunstância. No entanto a narrativa  sobrecarregada com tramas entrelaçadas não resiste ao peso das suas próprias ambições épicas. 
A direção de Nolan sempre vai elevar, mesmo as premissas mais confusas ao nível de espetáculo. Hans Zimmer e Wally Pfister, seus colaboradores de longa data garantem  o padrão técnico impecável do longa. A trilha  imponente de Zimmer e a cinematografia precisa de Pfister resultam em sequências de ação bem acabadas. Porém nada alcança os momentos antológicos de "O Cavaleiro das Trevas", como o assalto ao banco na abertura ou a perseguição do Coringa aos carros de polícia.
O ponto crucial que vai tornar esse filme uma tarefa difícil é sua estrutura. Como uma gigantesca montanha russa lúgubre que se move apenas para baixo a trama atravessa um abismo sufocante, ao ponto do segundo ato fadiga dramática ser inevitável.
Nos quadrinhos Bane não é um vilão interessante e apesar dos roteiristas implantarem motivações no personagem é justamente a ambivalência do seu plano que enfraquece o argumento de ser ele a  maior ameaça que o Batman já enfrentou. O herói na verdade permanece em segundo plano, pois o fillme é a viagem de Bruce Wayne (na pele de Christian Bale) ao inferno. 
É sempre admirável a ambição autoral de Christopher Nolan, diretor capaz de importar questões mais profundas para as engrenagens dos blockbusters. Mas a autonomia criativa conquistada com os sucessos comerciais permitiram que Nolan produzisse uma obra marcada pelo excesso de conceitos e personagens. Ainda que permaneça relevante dentro mitologia desenvolvida antes esse é o menos inconsistente da trilogia. 
A  versão de Anne Hathaway para a ladra Selina Kyle (mencionada apenas como "a Gata" em um recorte de jornal) é uma das melhores coisas acontecendo na tela. O filme acerta ao retornar à elementos das interações anteriores (em especial "Batman Begins") criando a sensação de que uma única história  foi contada ao longo de três filmes. Curiosamente um círculo se encerra quando lembramos que se no primeiro filme a superação do medo era o tema principal, aqui em um ponto crucial Bruce deve reencontrar a capacidade de temer o perigo para se salvar.
Ao indicar o caminho da luz após tantas sombras, Nolan conclui sua interpretação do Batman com uma forte carga emotiva, tão atribulada e intensa que é difícil considerar  revisitar "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" no cinema novamente. Em retrospecto, mesmo com suas imperfeições, ao ser comparado com outras adaptações de quadrinhos o filme é um a experiência densa acima da média. 
Nota 8.
Enviar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...