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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Crítica: Fidelidade à violência e brutalidade das HQs em 'Dredd 3D'



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Encerrando a temporada de adaptações de quadrinhos para o cinema, estreou mundialmente "Dredd 3D", produção dirigida por Pete Travis ("Ponto de Vista"), com Karl Urban no papel principal. Há quase 20 anos, na primeira vez que o Juiz mais durão de Mega City One pisou no cinema, "O Juiz",  estrelado por Sylvester Stallone e Rob Scheneider, deixou um gosto ruim associado ao personagem. Aquela produção servia mais como um veículo para Stallone preencher a tela com os estereótipos dos filmes de ação dos anos 90 do que uma representação das HQs inglesas. Apesar de alguns acertos visuais, muitos equívocos foram perpetrados. Do excesso de reviravoltas no roteiro, a comédia forçando a barra para o lado de policiais como "48 Horas", até é claro, o Juiz sem o capacete.

Dredd vs Dredd

Quando foi anunciado que a nova adaptação do Juiz Dredd estava sob o encargo da produtora britânica DNA Films, responsável por "Extermínio" e "Sunshine" - filmes sólidos de ficção científica dirigidos por Danny Boyle - e que Alex Garland, roteirista de ambos escreveria a história, o prognóstico de um bom filme se desenhava no horizonte.

Ultraviolência dos quadrinhos

Criado na revista britânica 2000 AD por John Wagner e Carlos Ezquerra, os quadrinhos do Juiz Dredd são uma alegoria sobre a decadência sócio-econômica do final dos anos 70 na Inglaterra. Satirizando as tendências fascistas do governo da primeira-ministra Margaret Thatcher, o desemprego e a convulsão social que assolava o país. Atirando em referências do cinema, cultura pop e rock pesado, Dredd  foi concebido como a hipérbole máxima do arquétipo do policial vingador, inspirado no estóico Harry Calahan da série "Dirty Harry".  Após uma guerra nuclear, em um futuro brutal e cyberpunk,  a força policial acumula funções de juiz, júri e executor,  enfrentando situações absurdas em tramas bizarras calcadas no gore e no humor negro.

E Dredd 3D é uma ótima tradução desse espírito niilista e brutal. A visão distópica de uma  megalópole decadente e submersa pela criminalidade, foi assimilada em um neo-noir ao mesmo tempo seco e estilizado.  Espertamente, o 3D do filme é totalmente justificado, se apropriando da possibilidade estética aberta pelo conceito da droga Slo-Mo que reduz a velocidade da percepção da realidade. E Travis aproveita o efeito para criar o melhor balé de projéteis atravessando corpos em super câmera lenta que o cinema já produziu.

Ai, meus dentes
A história é simples e vai direto ao ponto (com paralelos não intencionais ao recente sucesso oriental "The Raid").  Na trama o implacável e sisudo Juiz Dredd e sua parceira novata são confinados em um complexo habitacional, a dupla vai enfrentar uma exército de traficantes psicóticos liderados pela impiedosa Ma-Ma em atuação maliciosa de Lena Headey (a rainha Lanister de "Game of Thrones"). Como prometido, Karl Urban mantém seu capacete durante o filme  e interpreta o homem-da-lei über austero e irredutível, ecoando a truculência maniqueista de anti-heróis como Snake Plisken de "Fuga de Nova York" e claro o velho Harry Calahan imortalizado pelo casca grossa essencial, Clint Eastwood. Em contraponto, o papel de Olivia Thrilby é humanizar o tom, fazendo a Juiza Anderson, um telepata inexperiente, lançada no meio de conflitos emocionais e de ética.

A Telepata Juiza Anderson
O longa foi filmado em locações e estúdios na África do Sul, aproveitando o cenário desolador natural da Cidade do Cabo para criar as super favelas de Mega City One. Com um orçamento enxuto (50 milhões de dólares) para uma adaptação de quadrinhos,  Pete Travis não perde tempo com maneirismos, subtramas ou flashbacks e produziu um filme fiel a sua matriz criativa que  não ambiciona nada além de ser um filme de ação que surpreende pela escalada de agressividade. Ao se alinhar a escola de trabalhos sanguinolentos e iconoclastas que Paul Verhoven ("Robocop"), John Mctiernan ("Duro de Matar") e George Miller ("Mad Max") praticavam nos anos 80, "Dredd 3D" é um revigorante espetáculo sensorial que encontra formas inovadoras de explorar a violência em um thriller de ação.

Nota 8,5.

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