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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Crítica: 'Looper' quebra a lógica dos filmes de viagens no tempo

Dias de um Futuro Passado>>>
O cinema de ação faz mais um encontro com a ficção científica e estrutura uma reflexão sobre amadurecimento e sacrifício. Em "Looper", o diretor e roteirista Rian Johnson criou um universo com regras próprias sobre viagem no tempo e as consequências de se envolver em paradoxos temporais. No entanto, a trama usa elementos fantásticos para ponderar sobre  pragmatismo, violência e a possibilidade de redenção.


Como no ano 2072 é impossível eliminar alguém sem deixar rastros, a viagem no tempo é um recurso que mesmo proibido, passa a ser usado em segredo por criminosos. Ao enviar suas vítimas 30 anos no passado, os assassinos chamados loopers  fazem o serviço sujo, retirando os corpos da equação espaço-tempo. A aposentadoria compulsória e irrevogável é uma das peculiaridades do contrato dos loopers. Um dia o alter ego 30 anos mais velho será enviado para ser morto pela sua encarnação mais jovem. Quando um dos loopers falha em executar sua contraparte, questões éticas e filosóficas explodem na tela enquanto perseguições e formas inventivas de explorar as repercussões de alguém interagir consigo mesmo.
O personagem Joe -  interpretado simultaneamente por Joseph Gordon Levitt e Bruce Willis -  é confrontado com as decisões que tomou no presente/passado/futuro. O Joe mais velho  escapa  da inevitável execução para evitar que um acidente aconteca na sua vida, enquanto o Joe de 2042 precisa cumprir seu contrato e eliminar seu "loop", para que seu  futuro aconteça.

Expandindo um personagem em dois  antagonistas, o roteiro manipula os cânones dos filmes de ação, em uma constante troca de lugares entre o vilão e o mocinho. A decisão de ter dois intérpretes serve para enxergar o dilema por angulos opostos. Gordon Levitt, que usa maquiagem e próteses para se aproximar das feições de Willis, se empenha em evocar os maneirismos e expressões do protagonista de " A Gata e o Rato" e "Duro de Matar".

"Looper" é um filme menos complicado do que a sinopse pode levar a crer. Cada recurso do orçamento enxuto de 30 milhões foi usado em favor de um quebra-cabeça original que se reapropria de  elementos de efemérides das máquinas do tempo, em especial "O Exterminador do Futuro", e adiciona um elemento novo, derivado dos mangás do  Akira e do filme "Chamas de Vingança",  resultando em um  thriller tenso, inovador e com um final surpreendente.

Nos seus  trabalhos anteriores, Johnson demonstrou a reverência e a intimidade com gêneros do cinema. Se "Brick" foi um exercício estilizado sobre os filmes noir, a nouvelle vague  permeia a comédia vintage e pitoresca "Vigaristas". Mais acessível e ambicioso, "Lopper" é o filme que pode consolidar o nome de Johnson entre os talentos mais promissores da nova geração de cineastas americanos e levar o diretor para desafios maiores. 


Looper - Trailer from Cinema Mundial on Vimeo.
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