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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Ruby Sparks: A Namorada Perfeita é uma fábula despretensiosa sobre os descaminhos do coração




Namorada Imaginária>>>
O solitário  e semirecluso escritor Calvin Weir-Fields tenta reencontrar inspiração para seu próximo livro, enquanto lida com o vazio emocional deixado pelo fim de um relacionamento. Em um exercício de imaginação, ele sonha com uma garota espevitada e sem amarras. Motivado com aquela fagulha em forma de pessoa, Calvin decide inventar uma história sobre o seu relacionamento com ela. Escrever sobre a personagem Ruby Sparks é tão cativante, que autor vai se envolvendo com as próprias idéias até que descobre estar se apaixonando pela garota que criou no papel. A relação entre a obra e o seu criador dá um nó na realidade quando um dia a personagem  ganha vida e se torna a nova namorada de Calvin.

"Ruby Sparks: A Namorada Perfeita" ("Ruby Sparks") é o segundo trabalho do casal Jonathan Dayton e Valerie Faris, diretores de pérolas musicais para o Smashing Pumpkins como "Tonight, Tonight", que ganharam os corações do planeta com o  bombom agridoce "Pequena Miss Sunshine". O ator Paul Dano, que ficou conhecido naquele filme no papel de um adolescente introvertido e aqui interpreta o protagonista, convidou a dupla de cineastas para adaptar o roteiro escrito por sua esposa, a atriz Zoe Kazan (neta do lendário Elia Kazan). A história criada por Zoe, que faz a personagem-título, uma manic pixie dream girl que rompe o tecido da possibilidade para desestruturar a vida do tímido e reticente Calvin, se alinha a fantasias como a "A Rosa Púrpura do Cairo", "Mais Estranho Que a Ficção" e "Ted", onde a vida real  tem que lidar com a presença de pessoas fictícias. 

Se o Calvin das histórias em quadrinhos do Bill Waterson transformava seu tigre de pelúcia em parceiro das suas aventuras imaginárias, o Calvin de "Ruby Sparks" dá o passo seguinte, tal qual um Gepetto mais afortunado, tem a garota dos seus sonhos preenchendo sua vida acinzentada. Mas ele vai perceber que mesmo criando sua alma gêmea, ainda assim seria impossível prever se o relacionamento vai funcionar.

Além de inserir uma premissa instigante no terreno estagnado da comédia romântica, "Ruby Sparks: A Namorada Perfeita", traz de forma sutil, considerações sobre a possibilidade de moldar um relacionamento baseado no controle e até onde a medida da perfeição pode ser relativa. Sem perder o encantamento  ao concluir o dilema do amor metafísico, a história consegue se afastar de qualquer cinismo da geração hipster e quando o final romântico se aproxima, abraça o otimismo sem resvalar na condescendência.

Assim como o autor na história - que sofre diante da tarefa de criar o livro seguinte a seu primeiro sucesso - após seis anos de tentativas e projetos engavetados, a dupla Dayton e Faris finalmente passa pelo teste do segundo filme. Apoiado na fotografia de Matthew Libatique (colaborador constante de Darren Aronofsky), na trilha de Nick Urata (que se completa com pérolas pop como "Ca Plane Pour Moi" do Plastic Bertrand) e no elenco de apoio formado por Eliott Gould, Steve Coogan, Anette Bening e Antonio Bandeiras, "Ruby Sparks: A Namorada Perfeita" é uma fábula despretensiosa e delicada sobre a insegurança afetiva e os descaminhos do coração. 

Nota 7,0

O filme está em cartaz no Brasil.

Trailer de "Ruby Sparks: A Namorada Perfeita"



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