expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Magic Mike fala das angústias de um homem objeto

Vida Fácil>>>
Livremente inspirado na experiências que Channing Tatum teve como stripper, bem antes de ingressar na carreira de ator, "Magic Mike" extrai doses equilibradas de comédia e drama usando a crise econômica como pano de fundo. Os abdomens rasgados e coreografias rebolativas servem como um suporte ousado para falar de anseios profissionais  e sonhos corrompidos.
Tatum, que além de protagonizar a história é um dos produtores do filme mirava na estilo oblíquo e denso do cineasta Nicolas Winding Refn para dar corpo ao roteiro de Reid Carolin, mas o dinamarquês não pode tocar o projeto devido as filmagens do sucessor de "Drive",  "Only God Forgives". O prolífico Steven Sorderbergh, foi então convocado para  repetir a parceria  iniciada com Tatum em "Fora de Controle", e aplicou suas credenciais autorais e apuro técnico no mundo hedonista dos strippers. 

O diretor de  "Traffic" e "Contágio"  lança mão de enquadramentos sutis, filtros de cor e a abordagem naturalista para elevar a jornada de ascensões, quedas e  vazios existenciais que cercam Mike, o faz tudo bonachão e íntegro em busca de um plano de fuga da vida como homem objeto e tenta ver além dos holofotes e prazeres efêmeros.

A fotografia envolve uma sombra constante em torno dos personagens, "vampiros", habitantes de clubes e festas regadas a sexo, drogas e vaidade. Após conhecer o jovem e depauperado Adam (Alex Pettyfer)  em um dos seus bicos, Mike o apresenta à sedutora tarefa despudorada. Agora sob a alcunha de " Kid", Adam entra de cabeça no universo da dança exótica masculina. No entanto, uma série de decisões ruins do stripper novato levam Mike a reavaliar suas opções para o futuro, especialmente ao se aproximar de Brooke (Cody Horn), irmã mais velha do seu pupilo. 

Em um paralelo ao personagem-título, Tatum mostra que ambiciona uma carreira além da zona confortável das produções açucaradas que o celebrizaram entre o público feminino. Se arriscando como protagonista em um drama com pé na realidade, sua atuação empresta carisma e charme ao boa-praça Mike. A química entre ele e a personagem de Cody Horn é capturada por Sorderbergh em planos abertos e locações sob luz natural criam a sensação de genuína intimidade. Tatum convence como ator dramático. interpretando com emoção diálogos fluidos e espontâneos.

McConaughey  se livrou definitivamente do estigma de galã de comédias românticas,  saboreando uma fase de papéis memoráveis em filmes como "Killer Joe", "Bernie" e "O Poder e a Lei". Mesmo aparecendo pouco, o ator domina cada cena em estupenda atuação como o dono do show de strippers. 

Oriundo de aventuras juvenis como "Eu sou o número Quatro", Pettyfer também sai favorecido do filme no papel do inexperiente candidato a carreira de dançarino de clube das mulheres. Se o ícone adolescente não chega a brilhar, ao menos transmite o deslumbramento que o personagem requer.

Fechando o elenco de dançarinos malhados Joe Manganiello ("True Blood"), Adam Rodriguez ("CSI: Miami"), Matt Bomer ("White Collar")  e Kevin Nash (ex-lutador da WWE) proporcionam momentos divertidos nos bastidores do clube de strippers, em sua rotina mundana de reparos de tangas, depilação, aulas de dança e alongamentos não-ortodoxos. A falta de jeito do troglodita Nash  dançando entre os outros atores é uma chacota inevitável.

O truque de "Magic Mike" é conseguir  narrar com leveza e autenticidade o recorrente tema do sonho americano. Instigando reflexões sobre como as pressões econômicas da última década talham escolhas e comportamentos. 

Nota 7,0

Magic Mike está atualmente em cartaz no Brasil.

Leia mais críticas de filmes no Macaco Malandro:
Os Infratores é um thriller rústico e seco feito bebida ilegal
Filme do Dia - Looper
Filme do Dia - Dredd 3D
Enviar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...