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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Moonrise Kingdom é um Biscoito Fino Estranho e Inusitado

Amor Antigo>>>
A sensibilidade vintage dos filmes anteriores de Wes Anderson atinge seu ápice em "Moonrise Kingdom". A história de amor entre um casal de pré-adolescentes é mais um dos exercícios charmosos e estilizados do diretor de "Os Excêntricos Tennenbaums".  Localizando sua trama na década de 1960, Anderson abre sua caixa de influências peculiares como músicas francesas obscuras, ilustrações retrô, vitrolas, máquinas de escrever e memorabílias afetivas.


Filmado em 16 mm, a conversão para  35 mm  resultou em imagens granuladas, cuja paleta de cores amarelada simula a experiência de folhear fotos de revistas antigas. Posicionando a câmera simetricamente, a composição remete a uma planta baixa com linhas esquemáticas traçadas com tanto cuidado que poderiam ter saído de um desenho animado. Em uma das cenas finais, a direção de arte transforma os atores em silhuetas negras contra um céu expressionista. 

Anderson é um diretor metódico e obcecado por um certo número maneirismos. É um prazer observar coreografias estudadas, fórmulas narrativas e cacoetes estilísticos fortemente influenciados pelo cinema francês da nouvelle vague, Stanley Kubrick e Hal Ashby. 

Em "Moonrise Kingdom", todas as manias acumuladas desde "Bottle Rocket", "Rushmore" e "O Fantástico Senhor Raposo" se reagrupam para resultar em um filme adorável e estranho. Sam e Suzy, a dupla de protagonistas enamorados, vivida pelos estreantes Jared Gilman e Kara Hayward, decide fugir dos pais e viver juntos. Como tudo se passa em um ilha na costa da Nova Inglaterra, vai ser difícil para os garotos escaparem da caçada humana empreendida pela polícia local e o grupo de escoteiros do qual Sam decidiu abandonar.

Famílias desestruturadas, personagens incompreendidos e adultos falidos emocionalmente, 
assuntos recorrentes na carreira de Wes Anderson, retornam no roteiro co-escrito com Roman Coppola.   Na sexta colaboração com Bill Murray, o pai resignado da menina fugitiva, o elenco tem novos rostos se juntando à trupe. Bruce Willis faz um policial melancólico e solitário; Edward Norton usa a vulnerabilidade para compor o dedicado chefe dos escoteiros; Frances Mcdormand, como de costume, é uma força da natureza no papel da matriarca Laura Bishop. As participações especiais de Harvey Keitel, Tilda Swinton e  Bob Balaban são pequenos mimos na caixa de surpresas do diretor, que inclui  referências a filmes antigos como "Melody" de  Waris Hussein, "O Mensageiro do Diabo" de Charles Laughton e "Zazie no Metrô" de Louis Malle. 

"Moonrise Kingdom" é um biscoito fino preparado com esmero, mas a receita guarda ingredientes que podem ser intoleráveis para alguns paladares.
Nota 8,5



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