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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Skyfall renova o sangue da franquia 007


Bond Ressurge>>>
Por que ainda queremos ver um filme do James Bond 50 anos após o lançamento de "007 Contra o Satânico Dr"? "Skyfall" funciona como celebração e uma reflexão sobre a história do personagem. Reagindo aos novos tempos de ciberterrorismo onde as linhas entre nações e fronteiras tem menos peso, o roteiro questiona o custo de agentes correndo pelo planeta e a própria necessidade de um filme sobre o 007 nos dias de hoje. 


A direção de Sam Mendes ("Estrada para Perdição"), com o luxuoso auxílio do cinematógrafo Roger Deakins, produz o filme visualmente mais exuberante de toda história da franquia. Em locações como Istambull, Shanghai, Japão e Escócia. Mendes apresenta imagens perfeitamente compostas, jogando com silhuetas entre um labirinto de espelhos ou sob um lago de gelo, em uma sequência que remete  à iconografia impressionista de William Turner (não por acaso, o quadro The Fighting Temeraire, surge durante a cena na Galeria Nacional em Londres). 

O roteiro de John Logan faz breves, mas notáveis referências aos filmes anteriores inserindo elementos clássicos como o carro Aston Martin prateado, a pistola Walther PPK/S 9mm, vilões com animais exóticos e o retorno do armeiro Q. A bela abertura animada criada por Daniel Kleinman, evoca do clima retrô (com silhuetas femininas e imagens fantasmagóricas sobre a canção tema "Skyfall" na voz de Adele) entrega logo no início a intenção geral do filme de compactar o espírito mais tradicional do 007, em paralelo a iniciativa de modernizar o personagem desde "Casino Royale", vemos um curioso híbrido do realismo se mesclando a fantasia explosiva que andava ignorada. 


Javier Barden têm a oportunidade de criar pela segunda vez na carreira um vilão memorável, com o insano Raoul Silva oferecendo um antagonista com motivação, personalidade e surpresa, sexualmente ambivalente. Citando o capanga Jaws de o "O Espião que me Amava" em um momento revelatório sinistro,  Barden encarna o caos em pessoa com um plano elaborado que não busca nada além de vingança. O espírito anárquico de Silva lembra o Coringa de "O Cavaleiro das Trevas". Christopher Nolan, sempre citou os filmes do 007 como inspiração para os filmes do Batman, é irônico agora ver um James Bond que bebe na franquia do homem-morcego.

A temática da ressurreição guia o filme, quando, logo na sequência inicial James Bond submerge em um incidente quase fatal. Ao longo de Skyfall, ele vai buscar forças para se recompor na pele de Daniel Craig. O ator transmite a frustração e amargura interna do agente que percebe não estar no auge da sua forma em um momento crucial para a existência da inteligência britânica. Seu Bond sofrido é o mais atormentado de todas as versões que já chegaram ao cinema. Craig interpreta o personagem com fisicalidade e remorso, consciente das consequências dos seus atos.

Quando "Skyfall" chega ao fim, todas as peças que faltavam para compor o 007 tradicional estão lá. O agente está pronto para novas missões e renascimentos em uma direção que deve continuar reconciliando a ação absurda que representou a franquia clássica com a leitura mais realista da encarnação atual da série.

Após sofrer com os abalos financeiros do estúdio MGM que atrasaram a produção durante quase um ano, cortes no orçamento e a fria recepção à "Quantum of Solace", até comove reencontrar o personagem se reerguendo em uma produção lapidada com precisão de joalheiros e se movendo com intensidade de Aston Martin saído da fábrica.

Nota 7,5




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