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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O terror e a beleza do acaso no filme "O Impossível"


Férias Frustradas>>>
O cinema-catástrofe é um gênero que floresceu  ao longo dos anos 70, em filmes como "Terremoto", "O Destino de Poseidon" e "Inferno na Torre". Desde então os nervos das plateias são postos à prova diante de experiências extremas de sobrevivência em desastres naturais ou acidentes causados pela negligência humana. Em “O Impossível”, o diretor espanhol Juan Antonio Bayona se inspira no inacreditável relato de uma família conterrânea, atingida por vagas devastadoras, durante o tsunami que varreu cidades costeiras da Ásia no dia 26 de dezembro de 2004. A história real da sobrevivente Maria Belon, foi adaptada por Sergio G. Sánchez, roteirista que trabalhou no filme anterior de Bayona, o drama sobrenatural “O Orfanato”. Por motivos financeiros, a família espanhola ganhou nacionalidade britânica. Capazes de atrair uma audiência mais ampla, Ewan Magregor ("Peixe Grande") e Naomi Watts ("Cidade dos Sonhos")  foram escalados como os protagonistas da produção espanhola.

O filme abre com uma tela negra e um premonitório ruído subaquático precedendo o texto que  dimensiona a escala de destruição deixada pelo tsunami. A família Bennett,  formada pelo casal  Maria (Watts)  e Henry ( McGregor), com seus três filhos, Lucas (Tom Holland, Simon (Oaklee Pendergast) e Thomas (Samuel Joslin), desembarcam em um luxuoso resort tailandês, preocupados com rotinas familiares e perspectivas em suas carreiras. Seguindo a cartilha dos filmes do gênero, a calmaria das horas que precedem o pior estabelece  uma sensação de inquietude constante. Para quem não viu o trailer, o momento em que a onda gigante atinge o resort pode chegar como uma surpresa estarrecedora. O diretor reproduz com fidelidade inédita o impacto do desastre. 


Filmado em tanques gigantescos na própria Tailândia, a fúria do tsunami é o principal momento do filme. Debaixo da água, a câmera  passa por entre lodo, destroços e corpos sendo mutilados. O uso invisível de efeitos especiais aliado ao desenho de som de Oriol Tarrago (que também trabalhou em “O Orfanato”), inflige desconforto com tanta eficácia que sentimos a agonia dos personagens sendo arrastados e rasgados por galhos e escombros dentro do turbilhão. É uma bizarra combinação de terror e poesia visual que vai ficar gravada na memória para sempre.

A partir desse ponto, Maria e Lucas, o filho mais velho, são alienados do resto da família, e apesar  do choque e ferimentos profundos, seguem tentando se manter vivos. Bayona não poupa os olhos da platéia, apresentando cada momento dolorido com detalhes e crueza desconcertante. 

Amplificada pelas atuações de Naomi Watts e Ewan Macgregor, a tensão extraída da separação produz uma torrente de emoções que move a história para além do impacto espetacular das ondas gigantes. "O Impossível" é uma experiência comovente sobre uma família tentando se reencontrar, cercada por um cenário de desolação inconcebível. O filme de Bayona se alinha à engenharia sentimental das produções de Steven Spielberg, especialmente na direção do elenco infantil. No papel do filho mais velho, o novato Tom Holland ("Billy Elliot:The Musical") é a grande revelação do filme, sua presença lembra outra contundente estreia nas telas: o então ator mirim Christian Bale, no drama "O Império do Sol" (não por acaso dirigido por Spielberg). Apesar da história ser talhada para manipular o coração, a trilha sonora de Fernando Velazquez vem saturada de glicose, abusando de clichês para derrubar a última murada de cinismo que restar de pé.  Esse recurso acaba jogando contra o filme, mas apesar de persistente, não cancela o poder da história sofrida com seu desfecho surpreendente.

Nota 8,0

Segundo filme da carreira de Bayona e seu primeiro em língua inglesa, "O Impossível" revela um diretor com grande domínio técnico, com a mão firme na condução de emoções, que inscreve definitivamente seu nome entre os novos talentos do cinema. O filme está no páreo da temporada de prêmios, concorrendo ao Globo de Ouro de melhor atriz dramática para Naomi Watts; melhor atriz e melhor jovem ator no Critics Choice, para Watts e Holland respectivamente.

"O Impossível" está em cartaz no Brasil.

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