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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

"O Hobbit: Uma Jornada Inesperada" é um grande retorno à Terra-Média

A Aventura Recomeçou>>>
A longa espera pelo início de uma nova jornada através da Terra-Média acabou com a estréia de "O Hobbit: Uma Jornada Inesperada". O diretor Peter Jackson e seu time conseguiram driblar todos os revezes financeiros e burocráticos que pairavam como uma sombra Nazigul sobre a adaptação do clássico da fantasia infanto-juvenil, escrito por J.R. Tolkien  em 193, e mais uma vez nos conduz  pela porta circular da toca que ficava em buraco. 

Há mais de dez anos o cineasta neozelandês enfrentou um desafio tão assustador quanto a aventura descrita na pesada trilogia o "Senhor dos Anéis": ele conseguiu convencer a New Line a financiar as filmagens de três filmes, sem atores conhecidos,  em uma época na qual criaturas fantásticas com nomes exóticos eram parte de uma subcultura nerd obscura. Na cerimônia do Oscar de 2004, a expressão "meu precioso" entrava definitivamente para o dicionário da cultura popular e ajudou o movimento de tomada nerd do mainstream

Hoje, com o cenário mais favorável a seu lado, Jackson tem outro desafio sobre seus ombros: repetir a mágica que o consagrou, partindo de um material mais inocente e menos caudaloso para trabalhar. "O Hobbit" foi o livro em que Tolkien apresentou o universo literário de magia  que uma década depois seria expandido no épico "O Senhor dos Anéis". Mesmo recheado de  grandes batalhas e  passagens sinistras, "O Hobbit" é mais simples e calcado no humor. Ironicamente, se no passado Jackson teve a dura  tarefa de comprimir as volumosas páginas de o "O Senhor dos Anéis" para caberem em três filmes, com "O Hobbit" , um livro curto, a história foi esticada, para mais uma vez termos uma trilogia nos cinemas. 

O "Hobbit" abre com uma espetacular sequência em flashback que mostra a devastação causada pelo dragão Smaug e o expurgo dos anões da montanha de Erebor. Atenção conquistada, agora o diretor vai passar uma boa porção do filme dentro da toca de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), hobbit titular do filme. Como no livro, é difícil acreditar que o  tímido e hesitante se alie tão facilmente a Companhia dos 13 anões. O roteiro de Jackson, Fran Walsh, Philippa Boyens e Guillermo del Toro ao usa sabiamente a sequência de destruição da montanha dos anões na  abertura para conferir mais motivação e gravidade à missão organizada por Gandalf (Ian McKellen) e o Thorin, o rei dos anões  (Richard Armitage) amenizando a pantomima grotesca do original. Ao longo de todo o filme  vai ecoar o tema do exílio e do desejo de retornar para casa

A partir da saída do Condado, o filme entra no modo adrenalina apresentando perigos e ameaças absurdas, beirando a fronteira do cartunesco. E isso pode incomodar quem tentar comparar "O Hobbit" com a trilogia do anel. De fato, Jackson se esforçou para estabelecer uma transição menos abrupta entre as duas obras. Personagens como Frodo (Elijah Wood), Galadriel (Cate Blanchet), Saruman (Christopher Lee) e o Rei Elfo Elron (Hugo Weaving) foram transplantados no meio da trama, além da menção ao maligno Sauron, estão ali para criar familiaridade para quem se educou em Terra-Média a partir dos filmes anteriores.


O elenco de novatos tem à frente Freeman (que atualmente é o Watson na série de TV Sherlock) como o improvável candidato a herói e que ao longo do filme, é tragado pelos acontecimentos e passa a maior parte do tempo observando atônito o desenrolar de acontecimentos inacreditáveis.  O arco do personagem - que vai se moldar a longo da história ganhando confiança e coragem -  é construído em torno dessa inação, mas o roteiro leva muito tempo para estabelecer uma conexão com o protagonista, que ocorre a partir do encontro com o Gollum. Um pecado menor em meio ao espetáculo visual que reflete os avanços técnicos em efeitos visuais na última década. A interação entre atores de estaturas reduzidas digitalmente agora é invisível e a sensação incômoda de vermos crianças fazendo as vezes de hobbits não existe mais. O vilão Azog (Manu Bennett ), o Orc branco gigante é um exemplo de como os softwares de animação da Weta se sofisticaram. Gollum, o filho mais ilustre a sair dos farme renders da empresa de efeitos visuais, está de volta e nele se percebe que os animadores tentaram evitar o erro que a Lucasfilm cometeu com os prequels de Star Wars, mantendo o personagem idêntico e apenas dando um  sutil, ainda que notável refinamento  nas expressões faciais do precioso.

Se a ação é sempre impecável, o humor por vezes soa capenga,  mas somos contaminados pelo espírito aventureiro e pela a série de perigos espalhados pelo cenário fantástico, que continuam encantando. A oportunidade de escapar pelas colinas e montanhas traiçoeiras da Terra-Média é irresistível, agora com a vantagem de termos uma história mais reta e colorida pela frente. O momento do corte do filme é redondo, fechando bem a história no clímax, e deixando a platéia querendo mais.

Nota 8

Daqui a um ano, chega aos cinemas a sequência "O Hobbit: A Desolação de Smaug" e em julho de 2014 chega a conclusão da trilogia com  "O Hobbit: Lá e de Volta Outra Vez".




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