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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

'Wolverine Imortal' regenera a reputação do mutante no cinema


Fator de Cura>>>
Desde que  Brian Singer conseguiu transportar os mutantes da Marvel Comics  para o cinema no filme "X-Men",  o raivoso e invencível Wolverine esteve no centro da história. Afinal quem poderia culpar a Fox? O personagem é o item mais valioso do pacote de letras X que o estúdio mantem sob seu controle. Uma série de filmes solo do  canadense mais popular dos quadrinhos foi a evolução natural, Mas em 2009 uma aberração da natureza tomaria forma no famigerado "X-Men: Origens - Wolverine".  Voltado para o público infantil, o longa dirigido por Gavin Hood, gerou uma boa receita nas bilheterias, mas a reação à história frouxa e as situações constrangedoras  do roteiro escrito por David Benioff  e Skip Woods  marcou a primeira aventura solo do mutante como uma dos piores adaptações de quadrinhos já feitas. 

Portanto,  na sequência "Wolverine Imortal"o ator Hugh Jackman, que além de encarnar o protagonista é um dos produtores da franquia, teria um trabalho árduo: fazer o mundo esquecer o estrago deixado  por "Origens". Jackman e a Fox, foram buscar na mini-série  "Eu Wolverine", uma das melhores histórias sobre o personagem, escrita por Chris Claremont e com arte de Frank Miller, a inspiração para remediar os erros do passado.  A trama mostra o  período que Logan passou no Japão, lidando com seus demônios internos e sua paixão por Mariko, entre ninjas e o código dos samurais.


O roteiro escrito por Mark Bomback e Scott Frank usou apenas linhas gerais dessa premissa para reconstruir a reputação do personagem nos cinemas. A primeira escolha para dirigir o filme foi Darren Aronofsky, mas o diretor que já havia trabalhado com Jackman em "A Fonte da Vida", pulou do barco, quando o prestígio de "Cisne Negro" lhe deu cacife para seguir com seus projetos autorais. Certamente a visão bastante singular de Aronofsky, poderia ter produzido um filme de super-herói peculiar. A vaga foi preenchida por James Mangold, um um diretor competente que já passou por vários gêneros, entre eles o bom remake do western "Os Indomáveis" ("3:10 to Yuma"). E os ventos empoeirados que castigaram os pistoleiros sem  nome do velho oeste atravessaram o oceano e serviram como modelo para esse novo Wolverine. 

O filme se lança diretamente na ação com uma sequência excepcional de abertura em um campo de prisioneiros no Japão da Segunda Guerra Mundial, onde Logan ajuda um soldado japonês durante a retaliação nuclear dos EUA. A explosão que consome o corpo do herói é perturbadora. Até hoje nenhum filme de quadrinhos voltado para uma faixa etária mais jovem tinha mostrado uma cena tão escabrosa.



Fazendo um salto no tempo, a trama se move para os cafundós dos EUA nos dias de hoje para mostrar Logan vivendo como um ermitão no meio da floresta, assombrado pelo fantasma de Jean Grey (Famke Jansen) enquanto lambe as feridas mentais deixadas no final de "X-Men: O Conflito Final". Mas o senso de justiça acaba levando-o de volta para um rompante brutal.  A cena faz  alusão a primeira vez que o grande público viu as garras e a fúria do personagem irromperem na briga de bar no primeiro X-Men. Intenso e cheio de energia nos primeiros minutos, "Wolverine Imortal" dissolve as memórias negativas de "Origens" e  podemos relaxar na cadeira, pois o mutante furioso está de volta em um filme com sangue correndo nas veias.

misteriosa espadachim Yukio (Rila Fukushima), surge para extraí-lo do fundo do poço emocional e o convida para reencontrar um antigo conhecido dos tempos de guerra no Japão.  Yashida (Hal Yamanouchi), o soldado que Logan salvou durante o bombardeio nuclear agora é um poderoso ancião a beira da morte que deseja obter o  fator de cura que desacelera o envelhecimento.  Mas Logan não acha o convite para ceder sua mutação uma boa idéia.

Ao perceber que sua capacidade de recuperar-se de ferimentos não está mais funcionando, fica claro que tem algo sinistro à sua volta. Desprovido da  resistência sobre-humana, a história consegue colocar perigo em torno do Wolverine, o fazendo sangrar e se estropiar até cansar, abrindo espaço para o personagem lidar com novos desafios.

Para um filme censura 13 anos, surpreende como Mangold conseguiu colocar tanta selvageria na tela. Fazer justiça ao Logan bestial das histórias em quadrinhos inserindo um quantidade de fluidos e fatalidades foi um dos grandes feitos do filme. Na sequência do trem bala, a melhor cena de ação do filme pega emprestado a energia e o humor de Steven Spielberg dos tempos áureos do Indiana Jones, fazendo graça enquanto os assassinos da yakuza vão sendo dilacerados.



Diferente das tramas enroladas típicas de filmes de quadrinhos, "Wolverine Imortal" usa uma história relativamente simples e mundana, sobre uma donzela em perigo e intrigas de família. O  faro para rastrear problemas e o espírito justiceiro forçam o X-Man a ser o protetor de Mariko, a herdeira dos Yashida que se torna alvo de assassinos. A personagem foi uma das mulheres mais importantes na vida de Logan nos quadrinhos e a química entre os dois vai ter que se estabelecer no breve período em que os dois tentam se manter vivos. Acontece rápido, mas não chega a ser uma forçada de barra inacreditável.

O tema principal não é a imortalidade, como o subtítulo nacional sugere, mas sim sobre o processo de cura de um homem inquebrável que se encontra esfacelado por dentro. Ao assumir o posto de cavaleiro sem armadura, Logan reencontra o caminho do heroísmo. O filme segue no caminho da ação, com momentos de diversão, extraídos tanto do carisma do personagem quanto do seu intérprete. Jackman sabe que o Wolverine é o responsável pela sua carreira e sempre se entregou de corpo e alma à persona do carcaju, e aqui o personagem está plenamente realizado, implacável e soltando tiradas ferinas.





Mas tudo tem seu preço, e nos 20 minutos finais o drama e a tensão são substituídos por um clímax genérico, típico do filmes de quadrinhos. A presença da vilã cartunesca conhecida como a Víbora (Svetlana Khodchenkova)  na trama, prenunciava que havia uma taxa de gordura saturada espreitando no roteiro. E a batalha entre mocinhos e bandidos foge completamente do tom consequente usado até ali. No entanto, esse desvio infeliz não anula competente e divertida jornada do herói. 

E a cena pós-créditos faz uma ponte fantástica para o próximo filme da saga dos mutantes, "X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido".

Nota 8,0

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