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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Crítica: Marvel conquista vitória épica em 'Thor: O Mundo Sombrio'

Odisseia Cósmica>>>
Mesmo depois de mais de uma década da onda gigante adaptações de quadrinhos dominando os cinemas, sempre vão existir  personagens de quadrinhos que serão difíceis de transportar para fora do papel. Estúdios como a Warner, ainda estão se debatendo para encontrar sucesso fora da zona de conforto de propriedades populares como Batman e Super-Homem,e relegam potenciais blockbusters como a Mulher-Maravilha ao Hades dos projetos encalhados. No entanto o Marvel Studios se lançou no desconhecido e retornou com glórias como o primeiro "Homem de Ferro", um herói fora do radar de grandes audiências antes de 2008 e que hoje é sinônimo de bilheterias bilionárias. 

Mas poucos personagens seriam mais complicados de estabelecer uma conexão com a audiência do que o Thor. Se o querido  Homem de Aço sofre por ser um herói anacrônico em tempos de cinismo, tornar identificável um deus do trovão que mesmo nos quadrinhos não pode ser considerado o rei da popularidade é tarefa para bravos guerreiros. Aproveitando a boa vontade deixada pela performance devastadora de "Os Vingadores", o time de roteiristas de "Thor: O Mundo Sombrio" (Christopher Yost , Christopher Markus, Stephen McFeely, Robert Rodat e o falecido Don Payne)  entendeu que precisaria criar uma história que evocasse o espírito épico que permeia a base das fantasias imaginadas por Stan Lee e Jack Kirby desde os anos 60.


Substituindo a diretora Patty Jenkins, que se afastou do projeto logo no começo, Alan Taylor trouxe para "O Mundo Sombrio" a dimensão de espetáculo que ficou devendo no filme anterior. Logo no prólogo, o diretor que afiou suas armas na série "Game of Thones, apresenta uma batalha inspirada na cartilha de " O Senhor dos Anéis" e deixa claro que os próximos 120 minutos serão palco para aventuras e reviravoltas em escala digna do filho de Odin.

A nova ameaça, encarnada sob a forma de Malekith o Maldito, um antigo inimigo retornando de um exílio milenar, cujo objetivo é apenas espalhar o caos e a destruição para o universo. Interpretado pelo ex-Doctor Who  Christopher Eccleston,  o  vilão oferece para a história um desafio além dos poderes de Thor (Chris Hemsworth, cada vez mais a vontade no papel) e Odin (Anthony Hopkins) combinados. E o show a parte fica, como já era esperado, sob as ordens  do formidável  Tom Hiddleston, que segue dando vida ao seu debochado Loki. Aprisionado por seus crimes nos filmes anteriores, o mestre da trapaça tem a chance de encontrar a redenção (ou não) e ajudar no plano para deter o fim do mundo.


A trama acaba reunindo mais uma vez herói asgardiano e a cientista Jane Foster (Natalie Portman), que passou os últimos anos sem notícias do seu deus dourado e está amargando um bode intergalático. O destino acaba jogando a intrépida pesquisadora de portais dimensionais no centro do conflito entre a raça que planeja aniquilar toda a existência. De bônus ela ganha uma tour pelo mundo mágico de Asgard ao lado do seu cavaleiro encantado. 

Habilmente, o roteiro consegue criar tensão, colocando a vida dos protagonistas em constante perigo. Situações dramáticas deixam um impacto profundo em cada personagem e boa parte do elenco tem uma função importante na história. Tanto a trupe dos guerreiros asgardianos quanto os mortais terrestres tem espaço para mostrar serviço em cena. Em especial a Rainha Frigga (Rene Russo), mãe de Thor, que ganha o momento mais comovente.  Assim como o Dr Erik Selvig (Stellan Skarsgård) - com um parafuso a menos desde a invasão alienígena em "Os Vingadores"- hilariante na função de cientista maluco. Apesar das nuvens escuras rondando os Nove Reinos, o roteiro dispõe de um grande arsenal de piadas que não o deixam se perder por terras sombrias.

Com um orçamento visivelmente mais polpudo do que no primeiro "Thor", dessa vez o diretor pôde alçar  vôos mais complicados, usando cenários como os desertos da Islândia. As sequências de ação tem densidade  e são visualmente elaboradas, como na  briga espetacular através de ligações por diferentes mundos. "O Mundo Sombrio" conta com um  desenho de produção que traduz com classe as viagens psicodélicas de Jack Kirby e Walt Simonson, realizando na tela uma combinação de estética alienígena com esplendor bizantino de obras de alta fantasia. A produção oferece um refresco nas vistas cansadas de testemunhar Nova York e cidades similares sendo obliteradas, e usa a Inglaterra como cenário terrestre do conflito cósmico.

Colhendo os frutos da estrategia que construiu sua mitologia cinematográfica a longo prazo, a Marvel encontrou a fórmula mágica do sucesso: apesar de extremamente interligados, seus longas funcionam como entretenimento recompensador, fazendo lembrar franquias-pipoca como "Indiana Jones" e "Star Wars". 

Ao terminar com uma briga de respeito diante de um inimigo realmente ameaçador,  o filme  afasta   para outra galáxia a má fama dos desfechos anti-climáticos do estúdio. "Thor: O Mundo Sombrio" diverte e surpreende com boas doses de tensão, deixando um gancho perfeito para a continuação. Facilmente é o segundo  melhor produto  da Marvel, superando  os feitos do primeiro "Homem de Ferro", ao converter cada watt do Mjolnir em uma aventura bem amarrada, que dá ao seu protagonista grandes desafios e mostra como o personagem amadureceu ao longo dos filmes, abraçando seu legado como protetor do universo. 

Em retrospecto nem parece que a produção sofreu com problemas nos bastidores, brigas de atores, mudanças de última hora no roteiro e a intervenção do oráculo Joss Whedon na história a poucos meses do filme estrear.

Fica a ressalva para o 3D obrigatório, que apenas acrescenta escuridão à tela.

Nota 8,5

"Thor: O Mundo Sombrio" está em cartaz nos cinemas brasileiros.

O filme é estrelado por Chris Hemsworth (Thor), Natalie Portman (Jane Foster),  Anthony Hopkins (Odin), Tom Hiddleston (Loki), Christopher Eccleston (Malekith), Stellan Skarsgård (Erik Selvig), Zachary Levi (Fandral), Jaimie Alexander (Sif), Kat Dennings (Darcy Lewis) e Ray Stevenson (Volstagg) completam o elenco.
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