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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Crítica: novo 'Carrie, A Estranha' é uma fiel homenagem ao original sem poderes para espantar

Fase Difícil>>>
Carrie foi a primeira de uma série de protagonistas criados por Stephen King em livros como "A Hora da Zona Morta" e "Chamas da Vingança", que ao desenvolverem habilidades paranormais invariavelmente acabavam tendo suas vidas arruinadas. Prestes a completar quarenta anos de sua publicação, "Carrie, A Estranha" chegou ao cinema em um remake dirigido por Kimberly Peirce ("Meninos Não Choram"). Assim como nas duas versões anteriores, a trama segue fielmente a premissa do livro e converte as dores do crescimento em matéria-prima para um desfecho trágico.

Chloë Grace Moretz estrela como a jovem Carrie White, que sempre viveu mantida em um casulo social pela mãe, uma fanática religiosa (vivida com intensidade por Juliane Moore). Reprimida, a menina é um corpo estranho que se move sem chamar atenção entre corredores e vestiários inundados por hormônios. Seu status de pária descende bruscamente em direção aos abismos da vergonha quando as transformações naturalmente assustadoras da adolescência a colocam como alvo de bullying. 


Mas as rédeas curtas e cubículos cercados de imagens sagradas perdem o efeito sobre Carrie assim que ela percebe que as mudanças no seu corpo vieram acompanhadas de poderes paranormais. O roteiro de Lawrence D. Cohen e Roberto Aguirre-Sacasa, é o mais simples possível, reciclando cenas e diálogos do filme que Brian De Palma dirigiu em 1976, com pequenos detalhes adicionados como a subtrama em torno da personagem Sue Snell (Gabriella Wilde).

A direção de Peirce tenta valorizar a falta de tato de Carrie em suas interações, em especial quando esta sofre nas mãos da mãe. No entanto Grace Moretz, que sempre funcionou bem fazendo personagens duronas e assertivas, não se encaixa como a menina vulnerável que esconde um vulcão furioso sob camadas de angústia juvenil. A melhor coisa nessa releitura é a atuação surtada de Juliane Moore, que construiu uma Margareth White mais sombria e perturbadora, consumida em rituais de automutilação.

A comparação com a versão de De Palma é inevitável, pois os filmes são idênticos na estrutura e se afastam efeitos especiais bem acabados valorizam a sequência de eventos trágicos que se desdobram após o clássico banho de sangue. 

Temas como rebeldia adolescente e inadequações de quem atravessa esse período espinhoso a caminho da maturidade sempre serão relevantes, e apesar do peso cultural que o título "Carrie" ainda evoca, o impacto de jovens manifestando paranormais se dissolveu após décadas de filmes e seriados estrelados por seres superpoderosos. 

O novo “Carrie” é um filme de terror comportado que acaba perdendo uma boa oportunidade de usar os elementos de fantasia e terror para repensar os efeitos colaterais do bullying entre jovens. A produção tem a seu favor boas atrizes como Juliane Moore e Judy Greer se esforçando para elevar um material que se manteve muito próximo de uma fórmula que já não tem a mesma força.

Nota 6,5

"Carrie, A Estranha" estréia nos cinemas brasileiros no dia 6 de dezembro.

Direção: Kimberley Pierce

Roteiro: Lawrence D. Cohen, Robert Aguirre-Sacasa

Elenco: Chloe Grace Moretz, Julianne Moore, Portia Doubleday, Gabriella Wilde, Ansel Elgort, Alex Russell, Judy Greer

Censura: 16 anos

Duração: 1h40min

Gênero: Drama, Terror
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