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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Crítica: fantasia colorida ganha tons cada vez mais sombrios em 'O Hobbit: A Desolação de Smaug'


No Meio do Caminho>>>
O amor do cineasta Peter Jackson pela Terra-Média foi capaz de um feito que muitos consideravam impraticável: verter os épicos livros de "O Senhor dos Anéis" para o cinema. Tarefa cumprida, o diretor foi se aventurar por outras pradarias. Dez anos se passaram, mas as vozes dos fãs (e dos executivos) sopravam "o hobbit" na sua orelha. Jackson tentou se esquivar da nova empreitada, mas no final das contas, após imbróglios legais e problemas de saúde, lá foi ele tentar recapturar a mágica espalhada no livro de Tolkien publicado em 1937.

"O Hobbit: A Desolação de Smaug",  é a segunda parte da jornada pela Terra-Média que continua pelos caminhos repletos de armadilhas escondidas em uma adaptação cinematográfica. Para esticar uma trama que caberia no máximo em dois filmes , o roteiro de Jackson, Fran Walsh, Philippa Boyens e Guillermo Del Toro não apenas aproveita cada letra escrita em "O Hobbit", mas insere material extra e anotações que Tolkien produziu anos depois da primeira edição do livro, além de forçar alguns personagens da trilogia do anel na história. 

Mantendo perspectiva do primeiro filme, o mundo é menos complicado e a grande tarefa será matar um dragão e recuperar o tesouro. O humor cartunesco é responsável por grandes momentos, como a escapada nos barris pelas corredeiras, mostrando o que Jackson sabe fazer de melhor: a coreografia de sequências de ação. Mas para não soar simplório e ao mesmo tempo estabelecer uma ponte entre as franquias, a narrativa valoriza a ameaça do Necromante, a sombra de Sauron, o grande vilão que décadas mais tarde irá espalhar escuridão pela Terra-Média. 
 Mesmo emprestando seu nome ao filme, o hobbit Bilbo não é o centro das atenções: Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage), taciturno líder da trupe dos anões, é a verdadeira força motriz e o personagem mais complexo na trama, que nem sempre tem a postura mais nobre com seu pequeno aliado.

O terror é outro elemento familiar que retorna na floresta negra de Mirkwood, quando aranhas super-crescidas cruzam o caminho dos heróis. O famoso Um Anel é uma arma mágica tão poderosa que reclamava um alto custo a quem a portasse. Aqui, a força de Sauron está apenas retornando, e a trama ainda pode fazer bom uso da invisibilidade em diversas enrascadas. Claro que, para ficar próximo do que aprendemos na trilogia "O Senhor dos Anéis", a escuridão aos poucos corrompe o coração de Bilbo.  


A aventura se divide em duas frentes colocando Gandalf (Ian Mckellen) na trilha sombria das forças malignas que se preparam para lançar um ataque em grande escala sobre o mundo, enquanto Bilbo Bolseiro (Martin Freeman, perfeito) e os anões sofrem um bocado para chegar na montanha de Erebor, onde o dragão Smaug aguarda sorrateiramente para brilhar na voz de Benedict Cumberbatch. 

A escalada até os calabouços escuros de Montanha Solitária seria o grande desafio para a equipe de animadores da Weta que esperou até o último momento antes de definir o visual do dragão. Apesar de décadas de dragões e outros lagartos gigantes renderizados desde "Jurassic Park", o trabalho do estúdio que criou o Golum e os aliens azulados de "Avatar", em certos momentos o resultou em sequências estranhamente irreais. 

O ritmo sofre um pouco quando a história tem que atravessar a cidade-lago, ao pé da Montanha Solitária. No entanto, o pedágio é obrigatório, pois é lá que eles vão encontrar o arqueiro Bard, peça fundamental no próximo filme. Como sempre, faltaram personagens femininos no universo de Tolkien, e Jackson e seus roteiristas inventaram a Elfa Tauriel, vivida com fibra por Evangeline Lilly. Para acrescentar um tempero diferente, foi criado também um triângulo entre espécies com o anão Kili (Aidan Turner) e o elfo Legolas (Orlando Bloom) nas outras pontas do romance, o que acabou soando forçado.



A atuação de Freeman, quando finalmente tem que peitar o gigante escamoso, é genial. Sem economizar na pantomima, ele evoca com precisão a mistura de bravura e cautela para estender sua chance de não ser torrado. A escolha de Cumberbatch para dar voz ao bicho foi certeira, e o ator combina malícia e imponência, se equiparando a monstros da estirpe de Jeremy Irons vivendo o Leão Scar em "O Rei Leão". 

"Uma Jornada Inesperada" foi leve e quase inconsequente mas, com a aparição de personagens como Legolas e Sauron, a mitologia de "O Senhor dos Anéis" vai se fazendo bem mais presente, dando a esse capítulo uma escala maior. A missão para recuperar o tesouro dos anões vai cobrar um alto preço, enquanto um exército de criaturas malditas toma forma entre as sombras. 

Todo filme que se esforça para satisfazer vários mestres corre risco de sucumbir sob o peso de tantas correntes. Jackson sabe dosar bem o seu lado de fanboy com o pragmatismo de quem precisa espremer cada centavo possível dessa franquia. Para os saudosos de grandes aventuras, "O Hobbit: A Desolação de Smaug" oferece algumas horas de pura fantasia colorida executada com a precisão de um artesão bem versado em cenários de magia.

Nota 8,0

"O Hobbit: A Desolação de Smaug" está em exibição nos cinemas.
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