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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Crítica: Laços de ternura se desenrolam nos paradoxos temporais de ‘Questão de Tempo’


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O roteirista britânico Richard Curtis se especializou, ao longo das últimas duas décadas, em comédias românticas moldadas à base de açúcar e humor refinado. Do seu livro de receitas saíram confeitos como “Quatro Casamentos e Um Funeral”, “Um Lugar Chamado Notting Hill” e “Simplesmente Amor”, onde satisfez papilas gustativas ávidas para se derreter no cinema. Em “Questão de Tempo”, seu terceiro filme como diretor, Curtis usa as idas e vindas de um viajante no tempo para falar (como de costume) sobre amor. Dessa vez a discussão se estende além dos domínios de Eros e explora o carinho entre pais e filhos.

A trama acompanha o tímido e atrapalhado Tim Lake (Domhnall Gleeson). Ao completar 21 anos, ele recebe do seu pai (Bill Nighy) a notícia que descende de uma linhagem de viajantes no tempo. Muitos usariam esse poder para acumular riquezas, mas Tim está em busca de algo mais raro e valioso: o verdadeiro amor.



Quando afinal a flecha do cupido afinal cruza seu caminho, ela chega com o sorriso meigo de Rachel McAdams em uma das pontas. Para a tristeza de Tim, ele logo percebe que linhas temporais podem se embaralhar com facilidade e a garota dos seus sonhos desaparece em um desses paradoxos. Refazer algo que saiu errado é algo que aparentemente resolveria nossas mancadas, mas eventualmente o universo cobra alguma taxa por esses remendos. A cada conserto, advêm decisões complicadas sobre o que deve ser mantido na cronologia.

Os saltos para o passado são um dispositivo irresistível para episódios hilários, especialmente porque são movidos pelas frequentes gafes do protagonista. Não por acaso, Curtis treinou seu timing para a comédia de situações escrevendo episódios da série “Mr Bean”.

Gleeson, um talento em ascensão revelado na franquia Harry Potter, veste confortavelmente o traje do britânico gentil e desajeitado que já foi defendido por galãs da estirpe de Hugh Grant e Colin Firth em outros trabalhos do diretor. O ator, que já havia brilhado na recente adaptação de “Anna Karenina", agora sai da posição de coadjuvante e segura o filme como um protagonista carismático. Seu arco narrativo acompanha um rapaz ingênuo que, ao longo das suas jornadas para passado, descobre que a melhor rota dessa viagem é simplesmente aceitar os buracos da estrada e continuar seguindo em frente.



Uma das fatias mais saborosas de qualquer filme sempre vai ser o bombom Rachel McAdams, que tem a capacidade natural de gerar química com seus companheiros de cena. McAdams interpreta Mary, o interesse romântico de Tim com a habitual doçura, cumprindo a estratégica cota da estrela norte-americana que está ali para dar um empurrão no filme nos EUA e em outros mercados.

Bill Nighy, um velho colaborador de Curtis, vive o patriarca da família de viajantes do tempo iluminando a tela com seus tiques e sua infalível presença espirituosa. Curiosamente, a dupla já havia viajado no tempo em um episódio emocionante da série “Dr Who”, onde uma das piruetas do Doutor colocava o personagem de Nighy diante do pintor Vincent Van Gogh.



A sinopse e os trailers anunciam um filme fofo na escola do realismo fantástico de “Feitiço do Tempo” ou “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”, mas ao poucos a história vai revelando, entre as camadas dessa torta em forma de coração, um libelo ao amor entre pais e filhos. “Questão de Tempo” transmite com sutileza uma tocante meditação sobre as consequências de nossas decisões.



Nota 8,0


Dirigido e escrito por Richard Curtis, "Questão de Tempo" está em cartaz nos cinemas brasileiros.
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