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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Crítica: 'Capitão América 2: Soldado Invernal' junta conspirações e super socos em uma aventura eletrizante

  
 A Identidade Rogers
O projeto de dominação global das bilheterias arquitetado pelo Marvel Studios foi buscar nas variações de gêneros de filmes uma solução eficaz para manter a infraestrutura de  suas histórias seriadas chamando atenção.Do thriller tecnológico de “Homem de Ferro” à fantasia sci-fi  de “Thor”, cada tentáculo desse leviatã cinematográfico serve para adaptar mitologias bidimensionais em experiências fabulosas. A força de empuxo dos bilhões conquistados em “Os Vingadores”, agora turbina Steve Rogers (Chris Evans), tragado por um thriller de espionagem em “Capitão América 2: O Soldado Invernal”.


Se em “O Primeiro Vingador” a ousadia foi usar um filme de época como pano de fundo, dessa vez o desafio seria manter a atenção da audiência ao longo de duas horas de intrigas inspiradas que descendem do cinema paranoico dos anos 70. A escolha dos irmãos Anthony e Joe Russo para capitanear a produção demonstra que a Marvel tem um faro admirável para detectar talentos em lugares inusitados. A dupla, mais conhecida por seriados como “Arrested Development” e “Community”, faz  um serviço excepcional conduzindo uma história tensa e eletrizante.


Diferentemente de Tony Stark ou o Deus do trovão, que tem uma vida própria para retornar depois de salvar o mundo, só resta a Steve Rogers passar o tempo com os Agentes da S.H.I.E.L.D., empregando seu escudo em missões secretas ao lado de Natasha Romanoff  (Scarlett Johansson) e Nick Fury (Samuel L. Jackson). O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely toma emprestadas ideias de “Um Homem Fora do Seu Tempo” e “Soldado Invernal”, dois arcos dos quadrinhos escritos por Ed Brubaker (que faz uma ponta como um cientista da H.I.D.R.A), onde um fantasma do passado do Capitão América retorna em uma conspiração de dominação mundial.



O clima de thriller político combinado com a ação cartunesca produz uma aventura que nunca para de se movimentar. Nos dois primeiros terços da trama, a construção das sequências explosivas e perseguições é tão bem executada quanto os filmes recentes da série “Missão Impossível”. Os Russo usam a computação gráfica com parcimônia, dando um aspecto mais cru para o fogo cruzado e combate corpo a corpo. Com uma mistura de artes marciais na coreografia das brigas, os diretores deixam claro que o Capitão aprendeu novas formas de lutar desde que foi descongelado.

Chris Evans agora veste o uniforme colorido confortavelmente, incorporando as nuances de ingenuidade de um sujeito do inicio do século passado, se adaptando aos tons de cinza que separam mocinhos e bandidos nos dias de hoje. Seus ideais há muito ficaram para trás, e a cortina de fumaça que se levantou sobre os direitos individuais em tempos de NSA o fazem desconfiar da sua função como ferramenta nas ações do governo.



Johansson, que se apresenta para o serviço de Viúva Negra pela terceira vez no cinema, afinal teve espaço se estabelecendo como uma personagem feminina com autoridade para lutar ao lado de deuses e monstros. Mostrando mais do seu lado humano, a história permite que a espiã inabalável seja percebida além dos contornos insinuantes do seu uniforme.

A química instantânea do carismático Anthony Mackie no papel do Falcão (um dos primeiros super-heróis negros dos quadrinhos) cria situações divertidas com a dupla de protagonistas. A versão mais tecnológica do personagem se adequou à atmosfera no limite da suspensão de descrença e garante voos visualmente incríveis entre a artilharia pesada de efeitos especiais que encobrem o final da aventura.


A escalação de Robert Redford para interpretar o diretor da S.H.I.E.L.D., Alexander Pierce faz uma referência a safra de filmes repletos de maquinações sinistras da era Nixon, especialmente “Três Dias do Condor”.  É interessante que o ator veterano não está ali apenas para conferir um lastro de credibilidade mas também como um elemento essencial na trama. 

O antagonista, cujo codinome veio colado no título, oferece um desafio para as habilidades sobre humanas do Capitão América. Agindo nas sombras, o Soldado Invernal (Sebastian Stan) é a ponta de um iceberg de intrigas iniciada durante a Segunda Guerra Mundial e que se conecta aos acontecimentos do filme anterior. Apesar de operar basicamente com um exterminador do passado implacável, sua ligação com a biografia de Rogers torna o embate final dramático, evocando os conflitos internos do Darth Vader em o "Retorno do Jedi".


O clímax bombástico é um dos melhores criados pela Marvel, distribuindo entre cada herói uma função importante no plano para impedir o apocalipse da semana. As reviravoltas na trama podem causar mais vertigem do que as acrobacias do Capitão, no entanto, o apelo dos personagens e o vasto arsenal de sequências de tirar o folego evita que o “O Soldado Invernal” se perca no meio do rocambole conspiratório.

O mérito da Marvel tem sido conseguir manter um padrão de qualidade consistente com times criativos tão distintos, refinando a cada filme a técnica de reproduzir no cinema a mesma experiência de consumo em parcelas, praticada em séries de TV e, claro, nos quadrinhos. 

Olhos e ouvidos atentos vão capturar referências a futuros filmes da Marvel e uma brincadeira genial ligando Nick Fury e “Pulp Fiction”. Como de costume, espere pelas cenas pós-créditos pois “Vingadores 2” está a caminho.


Nota 8,5

"Capitão América 2 : Soldado Invernal" estra em cartaz nos cinemas brasileiros no dia 10 de abril.
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