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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Crítica: Embolando drama e fantasia 'O Espetacular Homem-Aranha 2' se salva por um fio

Choque de Irrealidade>>>
O Homem-Aranha saltou das páginas das revistas da Marvel para o cinema há mais de uma década, nos filmes dirigidos por Sam Raimi, em que Tobey Maguire inaugurava o posto de escalador de paredes. Duas sequências depois, Raimi demonstrava o cansaço com o constrangedor “O Homem-Aranha 3” e disputas criativas entre o diretor e a Sony nocautearam a produção da quarta parte.  Para manter os direitos do personagem longe da concorrência, a franquia foi reiniciada precocemente em 2012.  Feita às pressas e  visivelmente mutilada na ilha de edição, a nova encarnação do cabeça de teia não fez jus ao “Espetacular”  que o título sugeria.  Apesar dos problemas no parto do novo Homem-Aranha, Andrew Garfield foi uma boa escolha para o papel de Peter Parker e o diretor Marc Webb deixou indícios de que poderia explorar melhor o mundo do aracnídeo em “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro”


O roteiro de Alex Kurtzman, Roberto Orci, Jeff Pinkner e James Vanderbilt fecha as pontas soltas do mistério que ligava os poderes de Peter com o desaparecimento dos seus pais. Na tentativa de salvar a vida do moribundo Norman Osbourne (Chris Cooper), pesquisas genéticas catalisaram uma série de eventos interligados com a origem do herói e parte da sua galeria de vilões.

Em sua segunda incursão no universo do Homem-Aranha, Webb está mais confortável com as sequências de ação, usando a luz do dia para afastar a atmosfera soturna da primeira aventura. A filmagem inteiramente localizada em Nova York aproveitou os cânions de concreto para evocar a fisicalidade dos poderes do amigão da vizinhança. Visualmente, o personagem nunca foi tão bem caracterizado antes, o desenho de produção conseguiu criar um uniforme que reproduz com fidelidade a aparência dos quadrinhos. O lado insolente do combate ao crime também encontrou seu caminho no roteiro e para quem cresceu lendo o Aranha lançando piadas infames entre socos e piruetas, é impagável.


As engrenagens da história abraçam a natureza inconsequente do material original nessa realidade em que humanos se mesclam com DNA de outras espécies ou se transformam em energia pura. O enredo se dá ao direito de abandonar explicações lógicas, fazendo uma ponte entre o visual retumbante de Michael Bay com a ingenuidade nostálgica da época em que Chistopher Reeve voava sob a capa do Super-Homem. Em contrapartida aos atalhos bruscos, esse Homem-Aranha se eleva na coreografia da ação, em momentos que fazem homenagem ao humor pastelão de Buster Keaton. 

A lista de desafetos é encabeçada por Jamie Foxx, cujo subtítulo nacional entrega, é o ameaçador Electro. A partir da entrada do nerd carente Max Dillon, a narrativa se comporta como uma fantasia bidimensional, no espírito de um grande desenho animado com atores talentosos. Frases como “apenas meus ossos, meus músculos e meus órgãos estão doendo” são uma referência direta às histórias em que a dupla Gerry Conway e John Romita redefiniram o personagem nos anos 70.

A leveza superficial se choca com rochedos pontiagudos que cercam o coração de Peter. As intrigas da sua vida heroica estão a um fio de colocar em risco seus entes queridos. Manter o romance com Gwen Stacy (Emma Stone) é uma das escolhas que vai definir todas as decisões do Homem-Aranha no futuro.  Namorados na vida real, a química entre os atores rende momentos de intimidade genuína, em meio a raios humanos e conspirações maquiavélicas.

Vivendo a protetora Tia May, Sally Field tem uma função mais ativa, encontrando espaço para exercitar seus músculos dramáticos em uma cena comovente com Garfield.

Dane DeHaan, interpreta Harry Osbourne, o velho amigo de infância condenado pela mesma doença do pai.  O ator, um dos jovens talentos em ascensão no cinema, faz o que pode para justificar sua brusca transformação em super psicopata americano, mas nesse ponto a audiência já percebeu que a exploração elaborada da psique dos personagens é algo que não faz parte desse filme.

A Sony quer seguir o modelo bem sucedido do Marvel Studios, explorando cada milímetro da mitologia dos quadrinhos em futuras continuações. Em paralelo à franquia do Homem-Aranha, estão sendo desenvolvidos longas-metragens do “Sexteto Sinistro” e do “Venom”. O centro desse emaranhado começa a se desenrolar a partir dos eventos mostrados ao final de “A Ameaça de Electro”. O bandido russo Aleksei Sytsevich (Paul Giamatti), tem apenas uma breve participação como o vilão Rino, dando a deixa para um retorno em breve.

Webb se equilibrou como pôde sobre fios narrativos improváveis, mas, mesmo contando com  a suspensão de descrença que uma adaptação de quadrinhos traz embutida, a trama se enrola nas mesmas coincidências preguiçosas que impregnavam as criações de Raimi. O melhor uso desses velhos clichês se manifesta no maligno Dr. Ashley Kafka. Marton Csokas rouba a cena encarnando um cientista louco egresso da ficção científica dos anos 50.

A despeito das imperfeições genéticas herdadas dos quadrinhos, há muito com o que se divertir (e emocionar) nessa aventura visualmente vibrante. O heroísmo abnegado foi uma forma bonita de representar o Aranha, um personagem que não mede esforços para salvar vidas. Andrew Garfield captura completamente a doçura, o senso de responsabilidade e a amargura, três dos eixos que definem Peter Parker, o primeiro super-herói cuja vida pessoal sempre teve um peso tão importante quanto sua contraparte mascarada.

Nota 7, 5

"O Espetacular Homem Aranha 2: A Ameaça de Electro" estréia nos cinemas brasileiros nessa quinta-feira, 1º de maio.

Aventura, Ação, Fantasia
Duração: 142 min.
Origem: Estados Unidos
Direção:Marc Webb
Roteiro:Alex Kurtzman, James Vanderbilt
Classificação: 12 anos
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