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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Crítica: 'No Limite do Amanhã' joga Tom Cruise em um video game difícil com vidas infinitas


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A viagem no tempo está experimentando  uma fase de ressurgência na cultura popular em gêneros distintos como no thriller estilizado  de "Looper" ou na comédia romântica  de “Questão de Tempo”. Atualmente em cartaz,  “X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido” vai além das fronteiras da quarta dimensão para recuperar a popularidade dos mutantes. E em 2015, a franquia “O Exterminador do Futuro” será reativada em um reboot movido mais uma vez por perseguições entre o presente e o futuro. Estreando sem muito alarde, “No Limite do Amanhã” aproveita as possibilidades de se conjugar o pretérito perfeito em um filme de ação. Envolvido com a ficção científica desde “Vanilla Sky”, Tom Cruise é tragado por um acidente que o faz reviver o mesmo dia em uma versão com esteroides de “Feitiço do Tempo”

O roteiro escrito por Christopher McQuarrie, Jez Butterworth e John-Henry Butterworth coloca Cruise na posição do homem errado no lugar errado na hora certa. Centenas de vezes. A primeira ideia interessante da trama é que Will Cage está distante de ser o típico herói infalível ao qual o protagonista da franquia “Missão Impossível” costuma estar associado. Literalmente jogado no meio da carnificina, seu personagem é um militar burocrata que passou a carreira mantendo distância de campos de batalha. Compartilhando a bravura de um Woody Allen em “Formiguinha Z”, é interessante ver Cruise  na pele de um recruta zero sem vocação para heroísmo. Seria fascinante ver um ator como Paul Giamatti escalado nesse papel.

A premissa do filme, inspirada no conto/mangá “All You Need Is Kill”, escrito por Hiroshi Sakurazaka, prende Cage em um ciclo de morte e renascimento, no dia em que a raça humana foi extinta por uma invasão alienígena. Após perceber que  essa pane no espaço-tempo o transformou em uma espécie de Coiote Coió do desenho do Papa-Léguas, esse herói relutante tem que encontrar uma forma de evitar que o fim do mundo continue acontecendo.



Depois do bem sucedido ”A Identidade Bourne", o diretor Doug Liman estagnou em filmes de ação medianos como "Sr. & Sra. Smith" e "Jumper".  Na  fatídica batalha campal contra os aliens,  Liman faz uma referência direta ao desembarque na Normandia na abertura de “O Resgate do Soldado Ryan”.  A brutalidade é aliviada  pela comicidade da infantaria futurista sendo retalhada, múltiplas vezes, como se estivessem presos em uma fase muito difícil de um vídeo game.

A fratura no fluxo da realidade deixa Cage diante de Rita Vrataski, uma Capitã América high tech interpretada por Emily Blunt. A atriz britânica, que tem demonstrado uma afinidade pelo gênero da fantasia em projetos como “Os Agentes do Destino”, vive uma super-militar que deve ajudar Tom Cruise a se transformar em Tom Cruise. 


Enquanto os heróis dos quadrinhos já encontraram seu lugar na tela grande, os primos renderizados dos games continuam dando bug no momento em que ganham versões em carne e osso.  Os melhores filmes sobre games foram produções sem conexão direta com qualquer jogo existente. "Matrix", "300 de Esparta" e "Distrito 9" adaptaram para o cinema a narrativa baseada em níveis de dificuldade, chefes de fase e missões mais complicadas. Seguindo caminho similar, “No Limite do Amanhã” justifica sua razão de existir ao transpor para o contexto de um filme de ação a curva de aprendizado de quem passa horas desbravando cenários digitais. O contínuo botão de reset das idas e vindas durante esse dia fatídico faz de Cruise e Blunt uma dupla de jogadores se esfolando para avançar rumo à próxima fase. Como se a Princesa Peach se tornasse a sensei do Super Mario, trabalhando em equipe para chegar ao castelo.




Distante dos profundos dilemas existenciais que Bill Murray passou como o repórter Phill Connnors no "Dia da Marmota", essa história apenas insinua a dor que corrói Will Cage ao reviver eventos trágicos ad nauseum. Ao menos o interesse romântico faz algum sentido no contexto da história, afinal o sujeito esteve convivendo com Rita nessa janela de tempo por um período  que pode ter chegado a alguns anos.


Ponto positivo para qualquer catástrofe que ocorra longe dos cartões postais de Nova York: mesmo ambientado à noite, os escombros de Paris adicionam um cenário diferente ao clímax, evocando o palco dos conflitos durante a Segunda Guerra.

O elenco traz ainda Brendan Gleeson, que vive um oficial linha-dura, e Bill Paxton, emulando o sargento casca grossa de “Nascido Para Matar”. Noah Taylor, recentemente visto em "Game of Trones" serve como o cientista de plantão para explicar os detalhes bizarros dos aliens chamados de mímicos. Omitidos nos trailers, os bichos tem um design interessante, combinando o movimento dos Sentinelas de "Matrix" com a ferocidade dos Makhai  de "Fúria de Titãs 2".


“No Limite do Amanhã” é um passatempo compacto e despretensioso, que pode satisfazer aos fãs de filmes de ação sem alienar quem topar escapar por 113 minutos pelas improbabilidades fantásticas da ficção científica.

Nota 7,5

O filme estreou nos cinemas brasileiros nessa quinta-feira, 29 de maio.  

Gênero: Ação, Ficção Científica
Classificação:14 anos 
Duração:113 min.  
Direção: Doug Liman 
Roteiro:Christopher McQuarrie, Jez Butterworth e John-Henry Butterworth 

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