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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Crítica: 'Guardiões da Galáxia' é a prova que no espaço podem ouvir você morrer de rir


Tem Uns Loucos Soltos No Espaço>>>
O DNA das aventuras serials das décadas de 40 impregnou a safra de filmes dos anos 80 de forma indelével, dando forma às franquias Indiana Jones e Star Wars. Trinta anos depois, o Marvel Studios, movido pela força do Império Disney, está reconstruindo a estrutura genética daqueles filmes em suas adaptações de quadrinhos para o cinema. Além de compartilhar da mesma mitologia de papel, o tal do universo cinematográfico da Marvel também divide um caráter inconsequente, baseado no carisma de personagens em cenários além da imaginação. Apesar da patente do cinema leve e vibrante ser de livre uso, os donos do Homem de Ferro parece que encontraram a fórmula exata para recapturar aquele sabor de "Sessão da Tarde" das matinês oitentistas.


Dando seu passo mais ousado, "Guardiões da Galáxia" lança o estúdio em  direção à regiões obscuras, cujo único elemento familiar é a chamada que nos avisa: "Dos mesmos produtores de Os Vingadores". A jornada audaciosa se justifica pelo lastro de segurança conquistado ao longo de nove filmes. Assumindo o comando dessa nave louca, o diretor James Gunn chega municiado com nostalgia e comédia para não alienar plateias em uma trama povoada por tipos que são desconhecidos até para  leitores de quadrinhos mais veteranos.




Visualmente, "Guardiões" se estabelece como o produto mais impressionante da Marvel. 99% da trama acontece nos confins do espaço, exigindo ao desenho de produção imaginar mundos inteiramente novos, povoados por detalhes na arquitetura que devem tanto à estética cósmica imaginada pelo lendário Jack Kirby, quanto às capas da revista "Heavy Metal".




A conexão com a Terra é feita através do protagonista Peter Quill, interpretado com desenvoltura pelo comediante Chris Pratt. O terráqueo que se vira como um pirata espacial é um pilantra formado na escola de malandros que tem Han Solo, Terence Hill e Bill Murray nas cátedras de mestres. Pratt traz muito da comédia física e do humor cara de pau que lhe deu fama em "Parks and Recreation" para criar um figuraça amoral capaz de duelar com Tony Stark em um desafio de canalhice.



Antes de embarcar na aventura espacial, vale checar o playlist (ouça o player abaixo) mais bacana da galáxia. Desde o primeiro "Homem de Ferro" que um filme do Marvel Studios não oferecia uma seleção decente de faixas originais em suas trilhas. "Guardiões da Galáxia" encontrou uma forma perfeita de incorporar boas canções dentro da história. Pois Quill carrega uma fita cassete e um velho walkman sempre ao seu lado. As músicas são uma das poucas lembranças que ele guarda da vida na Terra, antes de ser abduzido para os confins do universo. De David Bowie à Marvin Gaye, a mixtape acaba sendo um sexto personagem no grupo de foras da lei. Fez lembrar das coleções inspiradas que Tarantino celebrizou em seus filmes. Aliás, "Cães de Aluguel", tem a mesma "Hooked on a Feeling", do Blue Suede, na trilha. 




O time de heróis acidentais se defende bem em suas posições, especialmente Dave Bautista, o ex-atleta de luta livre, que está perfeito como Drax, um gigante tacanho que ironicamente se expressa por sentenças rebuscadas. Movido pelo desejo de vingança, ele é uma versão anabolizada do Sheldon Cooper (da série "Big Bang Theory"). Fisicamente imponente, Bautista rende ótimas piadas com sua incapacidade de entender as entrelinhas de uma metáfora. 


Zoe Saldana, que vem se especializando em biologia extraterrestre, interpreta sua segunda alien colorida, trocando o azul de "Avatar" pelo verde de Gamora. A guerreira preenche a cota da personagem feminina durona que derrete o coração do mocinho. A química entre ela e Pratt ajuda a criar momentos impagáveis, fincando o humor no choque das referências à cultura pop dos anos 80 contra a formalidade extraterrena.


Gunn, criado na produtora Troma trabalhando em filmes bagaceira como "Tromeu e Julieta", usa o máximo de efeitos práticos e maquiagem, contrabandeando  certa qualidade do cinema B no meio da produção milionária. A tangibilidade das criaturas e cenários engrossa o caldo visual, mas são os personagens animados que brilham. Formando um time de caçadores de recompensa, o felpudo Rocket Racoon e o arbóreo Groot (dublados por Bradley Cooper e Vin Diesel, respectivamente), são metralhadoras de tiradas cômicas. Cooper disse que se inspirou no gangster raivoso que Joe Pesci interpretou em "Os Bons Companheiros" para compor o guaxinim ciborgue. Diesel foi chamado apenas para emitir a mesma frase dezenas de vezes, pois "Eu Sou Groot" é a única verbalização da árvore sapiente. Se valendo  de que a partir de um certo ponto na comédia quanto mais comprometido com a estupidez melhor, o roteiro de James Gunn e Nicole Perlman, assumiu a brincadeira, convertendo "Eu Sou Groot" em um mantra que pode ser o novo" Santa Tartaruga". A combinação do furioso Rocket e do adorável Groot os coloca entre as melhores duplas dinâmicas do cinema.

Liderando o bando de corsários do espaço, Michael Rooker tritura as cenas como um trapaceiro de bom coração. Os coadjuvantes de luxo, como John C. Reilly, Benício Del Toro e Glenn Close, são os cabos de segurança que evitam que a mente da platéia se perca no meio do rocambole insondável que envolve Jóias do Infinito, Thanos, Krees e outros conceitos do glossário dos quadrinhos.


Essa parte mais pesada de ficção científica e diálogos pomposos fica nos ombros dos vilões, sob o punho do impiedoso Ronan. Seguindo a cartilha da galeria de facínoras dos gibis, o maníaco genocida vivido por Lee Pace, é um clássico psicopata unidimensional e cheio de disposição para destruir um planeta e, se sobrar tempo, o resto da galáxia. Pace faz pose de mau sob quilos de maquiagem e figurinos desenhados pelo bamba Brian Muir, o mesmo criador do capacete do Darth Vader. Karen Gillam, que passou anos ajudando nas viagens malucas do "Doctor Who", troca de lado e veste a armadura de Nebula, uma das filhas do temível Thanos. Ela e Djimon Hounsou são meros capangas em uma história disposta a rir dos seus clichês e ambiciona ser um bom desenho animado com atores.


O combo de aventura, comédia e fantasia espacial resulta no balde de pipoca mais saboroso que você vai consumir este ano no cinema. Desde "Heróis Fora de Órbita" ("Galaxy Quest") que a ficção científica não era tão divertida. A dinâmica do grupo de marginais que se alia para salvar inocentes é tocada como uma alucinada montanha russa. São duas horas de gargalhadas entrecortadas por momentos de pura ingenuidade, que resgatam o melhor do espírito frívolo dos espetáculos que desbravaram a imaginação da geração criada a base de Atari, Michael Jackson e Tartarugas Ninja. 

Nota 9,0

O filme estréia nos cinemas brasileiros nessa quinta-feira, 31 de julho. 


Guardiões da Galáxia by MacacoMalandro on Grooveshark


Gênero: Ação, Ficção Científica, Aventura, Comédia
Classificação:10 anos
Duração:122 min.
Direção: James Gun
Roteiro: 
James Gunn e Nicole Perlman
Elenco: 
Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Bradley Cooper (voz de Rocket Racoon), Vin Diesel (voz de Groot), Lee Pace, Michael Rooker, Karen Gilian, Djimon Hounsou, John C. Reilly, Glenn Close e Benicio del Toro. 







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