expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Crítica: Entre fugas e trapaças,'O Grande Hotel Budapeste' é a nova farsa agridoce de Wes Anderson



Serviço de Luxo>>>
Habilidoso na confecção de mundos pitorescos e habitados por tipos peculiares, Wes Anderson segue causando reações polarizadas a cada novo filme lançado. Depois de sua primeira produção de época em "Moonrise Kingdom", Anderson arruma as malas e transfere seu registro nostálgico para a primeira metade do século passado onde, dobra a realidade em "O Grande Hotel Budapeste" ("The Grand Budapest Hotel", no original).

A estrutura de história dentro da história se apresenta como uma boneca russa, que tem na camada mais externa uma jovem nos dias atuais lendo um relato passado em 1968 sobre o Hotel Budapeste. Fazendo escalas em três diferentes momentos do século XX, a trama tem a estadia mais longa nos anos 30, quando o Budapeste vivia seus dias de glória em uma nação imaginária nos Alpes europeus.



Mais associado a dramas complexos, Ralph Fiennes veste a casaca de Gustave H., o garboso gerente do hotel. O ator se junta à galeria de anti-heróis e bufões da filmografia do diretor de "Os Excêntricos Tennenbaums", capturando a fina ironia das comédias de Peter Sellers para compor um tipo afetado que se esforça para manter a fleuma em situações periclitantes, sem descambar no ridículo.

O faro de Anderson para rastrear novos talentos encontrou no desconhecido Tony Revolori um formidável intérprete para o carregador de malas Zero Moustafa. O intrépido escudeiro na série de desventuras e figuras sinistras desenvolve uma relação de pai e filho com seu patrão, tema recorrente na filmografia do diretor. Inspirado na autobiografia "O Mundo que Eu Vi - Memórias de um Europeu”, em que Stefan Zweig recordou a sua vida entre guerras na Europa, o personagem de Zero traz à memória a dor dos expatriados pelos conflitos que explodiam na região.

Mimado pelas ricas senhoras que frequentam o Hotel, Gustave se envolve em uma intriga familiar movida pela morte de uma das bondosas senhoras que formam o seu harém da terceira idade. Ao ser encontrada morta, Madame D. (vivida por Tilda Swinton sob camadas de próteses e maquiagem), coloca o personagem de Fiennes no meio de uma violenta disputa entre os herdeiros da ricaça.




Desde que dirigiu "A Vida Marinha com Steve Zissou", Anderson está se embrenhando na sua versão particular da realidade, usando animação, miniaturas e pantomima cênica, para criar farsas inusitadas, pontuadas por rompantes de brutalidade. Filhote da precisão dos trabalhos de Stanley Kubrick e descendente da fase barroca de Frederico Fellini, neste filme, Anderson é um mestre artesão interessado em reviver o espírito antiquado de filmes mudos e as aventuras absurdas dos Irmãos Marx, com perseguições, fugas e correrias.

Se a jukebox de clássicos do rock inglês e outras pérolas pop ficou desligada pelos limites do período, a trilha do compositor Alexandre Desplat se volta para temas clássicos e músicas folclóricas russas para fazer par com a atmosfera que varia entre a pompa e o pastelão.

O preciosismo técnico se aproveita dos diferentes períodos para brincar com o formato da tela, deixando o cinematógrafo Robert D. Yeoman livre para moldar as proporções de acordo com os projetores de cada década.




A quantidade de figuras incidentais circulando os protagonistas reúne um elenco impressionante, juntando comparsas recorrentes de outros carnavais como Edward Norton, Adrien Brody, Willem Dafoe e Jeff Goldblum a novatos como Jude Law, Mathieu Amalric e F. Murray Abraham. Muita gente boa que topou participar do filme para fazer apenas uma cena. A superlotação de talentos rouba a chance da confeiteira vivida por de Saoirse Ronan, ser melhor desenvolvida, um dos deslizes de Anderson que sempre releva as personagens femininas ao segundo plano.

Como os elaborados bolos feitos pela jovem Agatha (Ronan), "O Grande Hotel Budapeste" é mais uma produto da confeitaria que funciona na mente de Wes Anderson. A receita contém velhos ingredientes como o elenco estelar, cenografia minuciosa e a doçura cortada por momentos ácidos, mas além da refinada embalagem, os universos imaginados por Anderson são capazes de encontrar seu recheio emocional, saltando entre e o abismo que separa o grotesco e o sublime sem corda de segurança.


Nota 8,0

O filme estréia nos cinemas brasileiros nessa quinta-feira, 3 de julho.

Gênero: Comédia, Drama
Classificação:14 anos
Duração:99 min.
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Hugo Guinness, Stefan Zweig, Wes Anderson
Elenco: Ralph Fiennes, Toni Revolori Edward Norton, Owen Wilson, Tilda Swinton, Jude Law, Bill Murray, Adrien Brody, Harvey Keitel, Jason Schwartzman, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Saoirse Ronan, Tom Wilkinson, Mathieu Amalric, F. Murray Abraham, Bob Balaban e Léa Seydoux.
Enviar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...