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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Crítica: 'Planeta dos Macacos: O Confronto' é um blockbuster que medita sobre a natureza da guerra

Era da Extinção>>>
Ao longo da década passada, o FOX Studios parecia um trem desgovernado atropelando seu patrimônio cinematográfico, produzindo filmes medíocres que dilapidaram marcas fortes como Aliens e X-Men. Somado a isso, o gosto amargo deixado pelo reboot de Tim Burton ainda assombrava os fãs dos símios evoluídos. Portanto, quando o prequel "Planeta dos Macacos: A Origem" saltou dos galhos para as telas em 2011, fomos surpreendidos por uma inspirada ficção científica que estabeleceu bases sólidas para que novas metáforas sobre conflitos entre classes, racismo e direitos civis pudessem reverberar além dos efeitos especiais.

Em "Planeta dos Macacos: O Confronto", a trama avança 10 anos após os acontecimentos de "Origem", onde os experimentos que aumentaram a inteligência dos primatas, também trouxeram a reboque um vírus que devastou 98% da humanidade. A vida em harmonia do crescente bando de macacos liderados por César (Andy Serkis) é interrompida com a chegada de um grupo de humanos sobreviventes. Desesperados para reconstruir a sociedade à base das benesses da tecnologia, os homens liderados, pelo personagem de Gary Oldman, causam uma cisão entre os macacos: de um lado, César defende o caminho da diplomacia, enquanto seu braço direito, Koba (Toby Kebbell), deseja eliminar a concorrência antes que seja tarde.

Substituindo Rupert Wyatt na direção, Matt Reeves tem a vantagem do salto técnico entre os filmes, levando a captura de movimento para locações nas florestas de Vancouver, onde pode extrair mais realismo dos macacos digitais. O time de animadores criou uma ilusão perfeita em Koba, o primata ardiloso que rouba a cena se fingindo de bobo. Curiosamente, o visual do protagonista ainda se balança entre os cipós daquela região conhecida como o vale imponderável da computação gráfica. Não é o caso de indicação para o Oscar mas, mesmo envolvido na bola de pelos animada, a atuação de Serkis eletrifica a tela com o olhar e a linguagem corporal.


Acreditando que os símios não cometeriam os mesmos pecados do homo sapiens, César não percebe que, além da inteligência, as espécies compartilham a inveja e a ambição. Falando sobre lealdade e traição, o roteiro de Rick Jaffa, Amanda Silver e Mark Bomback expande a temática da luta entre espécies para a guerra tribal. O filme destila a obra de Shakespeare que batizou seu herói, colocando os macacos inteligentes em posições que aludem à peça "Julio César". Ainda que maquiavélicas, as intrigas fomentadas por Koba tem origens compreensíveis: entre a corte dos símios, foi ele quem sentiu mais na carne a brutalidade daqueles que agora tentam reconquistar o posto de espécie dominante no planeta.

Mais voltado para a perspectiva dos macacos, o ponto de vista dos humanos acaba com pouco espaço para ser elaborado. Boa parte do grupo é composto de esterótipos que apenas movem a história, como o pavio curto (Kirk Acevedo), sempre disposto a alimentar desavenças. Interpretado pelo carismático Jason Clarke (de " A Hora Mais Escura"), Malcolm é a voz da razão que tenta evitar o confronto através da cooperação. Da mesma forma como em "A Origem do Planeta dos Macacos", a continuação nos faz trocar de galhos e faz com que torçamos pelos macacos. A tensão surge a partir da presença dos humanos como ameaça ao status da incipiente civilização dos macacos.

A melhor ficção científica é aquela que se aproveita de elementos fantásticos para refletir sobre os acontecimentos da vida real, e nesses dias em que mísseis espalham o terror na Palestina, e hostilidades derrubam um avião de passageiros na Ucrânia, é triste constatar coimo o mais tênue ruído na comunicação pode deflagrar ciclos intermináveis de violência e destruição.



Eficiente na mistura de espetáculo explosivo e libelo anti-belicista, o novo capitulo da franquia cede à fadiga no final, forçando um drama dispensável na ação paralela entre os humanos, enquanto o que importa é o embate entre os macacos em conflito. Seguindo a escola de mestres como James Cameron e Spielberg, Reeves antecipa situações assustadoras com piadas visuais como a interação entre Koba e os humanos armados. Apesar de não ser tão marcante quanto a perseguição na Golden Gate da história anterior, o plano sequência da "guerrilha gorila" vai ficar na memória como uma das melhores cenas do ano. Outra lição que ele trouxe das aulas dos blockbusters clássicos é que mesmo o filme mais sombrio precisa de raios de luz, e a emoção bate no volume máximo quando a faixa “The Weight”,do The Band, espalha uma fagulha de esperança no ar.

Como um todo, "Planeta dos Macacos: O Confronto" supera seu antecessor e se posiciona como "O Império Contra-Ataca" da série. Aumentando o drama, a história avança na reconstrução de uma das distopias mais famosas do cinema. Que venha a guerra.


Nota 8,0

O filme estréia nos cinemas brasileiros nessa quinta-feira, 24 de julho.

Gênero: Ação, Ficção Científica
Classificação:14 anos
Duração:130 min.
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver e Mark Bomback
Elenco: Andy Serkis, Jason Clarke, Gary Oldman, Toby Kebbell,Keri Russell, Kirk Acevedo, Kodi Smit-McPhee,Enrique Murciano,Karin Konoval, Lucky Johnson


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